{"id":83,"date":"2019-08-06T13:04:44","date_gmt":"2019-08-06T16:04:44","guid":{"rendered":"http:\/\/arritmed.com.br\/?p=83"},"modified":"2019-08-06T13:04:44","modified_gmt":"2019-08-06T16:04:44","slug":"anticoagulacao-em-pacientes-com-fibrilacao-atrial-no-contexto-do-infarto-agudo-do-miocardio-intervencao-coronaria-percutanea-o-que-dizem-os-estudos-atuais","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/arritmed.com.br\/?p=83","title":{"rendered":"Anticoagula\u00e7\u00e3o em pacientes com Fibrila\u00e7\u00e3o atrial no contexto do Infarto Agudo do Mioc\u00e1rdio\/Interven\u00e7\u00e3o coron\u00e1ria percut\u00e2nea &#8211; O que dizem os estudos atuais?"},"content":{"rendered":"\n<p><\/p>\n\n\n\n<p>INTRODU\u00c7\u00c3O\n<\/p>\n\n\n\n<p style=\"text-align:justify\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 A fibrila\u00e7\u00e3o atrial (FA) \u00e9 uma das arritmias mais prevalentes, tendo se tornado um problema de sa\u00fade p\u00fablica. Acredita-se que no ano de 2050 nos Estados Unidos a preval\u00eancia da arritmia chegue a 15,9 milh\u00f5es de americanos. Essa preval\u00eancia vem aumentado progressivamente, provavelmente devido ao envelhecimento da popula\u00e7\u00e3o. O avan\u00e7o da medicina no tratamento das cardiopatias tamb\u00e9m tem contribu\u00eddo para a esse aumento. <\/p>\n\n\n\n<p style=\"text-align:justify\">     A associa\u00e7\u00e3o da fibrila\u00e7\u00e3o atrial com fen\u00f4menos emb\u00f3licos \u00e9 conhecida desde d\u00e9cadas passadas e alguns fatores de risco foram demonstrados em diversos estudos. At\u00e9 que em 2001 foi descrito o primeiro escore de risco para fen\u00f4menos tromboemb\u00f3licos em pacientes portadores de FA: CHADS<sub>2<\/sub> (C-Insufici\u00eancia Card\u00edaca; H-Hipertens\u00e3o; A- Idade>75 anos; D- Diabetes; S- Acidente vascular cerebral). A presen\u00e7a de algum item dessa classifica\u00e7\u00e3o equivale a 01 ponto, com exce\u00e7\u00e3o do AVC que s\u00e3o 02 pontos. Se o paciente apresentasse pontua\u00e7\u00e3o maior ou igual a 02, tinha indica\u00e7\u00e3o de associar um anticoagulante oral no seu tratamento para a preven\u00e7\u00e3o de fen\u00f4menos tromboemb\u00f3licos. Surgia tamb\u00e9m praticamente no mesmo per\u00edodo os Novos anticoagulantes orais (NOACs), tendo como o \u201cprimog\u00eanito\u201d o Dabigatrana (RE-LY). Na sequ\u00eancia foram lan\u00e7ados o rivaroxabana (ROCKET AF), apixabana (ARISTOTELE) e edoxabana (ENGAGE-AF). Antes dos surgimentos dos NOACs a op\u00e7\u00e3o em anticoagula\u00e7\u00e3o oral era a Warfarina. Em 2011 ocorreu um novo estudo com mudan\u00e7as em rela\u00e7\u00e3o ao CHADS<sub>2<\/sub>, sendo incorporado alguns fatores, surgindo o CHA<sub>2<\/sub>DS<sub>2<\/sub>VASc (C-Insufici\u00eancia card\u00edaca, 01 ponto; H-Hipertens\u00e3o arterial, 01 ponto; A<sub>2<\/sub>-Idade maior ou igual a 75 anos, 02 pontos; D-Diabetes, 01 pontos; S- AVC e AIT pr\u00e9vios, 02 pontos; Doen\u00e7a Vascular-01 ponto; A-idade entre 65 a 74 anos, 01 ponto; S- sexo feminino, 01 ponto). Se o paciente atingisse a pontua\u00e7\u00e3o maior ou igual a 02 pontos, continuava a indica\u00e7\u00e3o do uso do anticoagulante oral. Essas medidas associadas aos NOACs fizeram com que diminu\u00edsse a incid\u00eancia de acidente vascular encef\u00e1lico nessa popula\u00e7\u00e3o de pacientes com fibrila\u00e7\u00e3o atrial, com uso de uma medica\u00e7\u00e3o com mais seguran\u00e7a do que a Warfarina. <\/p>\n\n\n\n<!--more-->\n\n\n\n<p style=\"text-align:justify\">     Com o envelhecimento da popula\u00e7\u00e3o, a doen\u00e7a coronariana tem aumentado sua incid\u00eancia e a concomit\u00e2ncia dessa patologia em pacientes portadores de fibrila\u00e7\u00e3o atrial vem sendo cada vez mais comum. O infarto do mioc\u00e1rdio \u00e9 uma patologia grave e necessita de terapia espec\u00edfica para diminuir a morbimortalidade. Um dos fatores mais importantes no tratamento do IAM \u00e9 a anti-agrega\u00e7\u00e3o plaquet\u00e1ria. A terapia antitromb\u00f3tica recomendada \u00e9 realizada por \u00e1cido acetilsalic\u00edlico associado a antagonista dos receptores P2Y12 (clopidogrel, prasugrel, ticagrelor). O estudo ISIS-2\u00a0 demonstrou redu\u00e7\u00e3o de cerca de 23% na mortalidade com o uso do AAS no infarto do mioc\u00e1rdio. Estudos como o COMMIT\/CCS-2, CLARITY-TIMI 28, TRITON-TIMI 38 e PLATO estabeleceram a import\u00e2ncia dos tienopirid\u00ednicos associados a aspirina no tratamento do infarto. <\/p>\n\n\n\n<p style=\"text-align:justify\">     Em 2012 o estudo DANISH que envolveu pacientes com fibrila\u00e7\u00e3o atrial e infarto do mioc\u00e1rdio apresentou que o uso da terapia tripla aumentava significativamente o risco de sangramento quando comparado com o uso de apenas um antiplaquet\u00e1rio (HR=1,47, IC 95%1,04 a 2,08) ,sem diferen\u00e7a nos eventos isqu\u00eamicos (HR=1,15, IC 95% 0,95 a 1,40).<\/p>\n\n\n\n<p style=\"text-align:justify\">     Diante de todo esse cen\u00e1rio ent\u00e3o surgia um grande questionamento: Como realizar a anti-agrega\u00e7\u00e3o plaquet\u00e1ria em pacientes que apresentaram um quadro de s\u00edndrome coronariana aguda e \u00e9 portador de fibrila\u00e7\u00e3o atrial com crit\u00e9rios para anticoagula\u00e7\u00e3o? Devemos utilizar terapia tripla ou dupla e por quanto tempo? Ser\u00e1 que a combina\u00e7\u00e3o AAS + tienopiridinicos seria suficiente para evitar eventos emb\u00f3licos na FA? Ser\u00e1 que se usarmos a terapia tripla (AAS + tienopiridinico + NOAC) conseguiria evitar novos eventos isqu\u00eamicos no infarto, evitando tamb\u00e9m eventos emb\u00f3licos na FA sem aumentar sangramento? Quais s\u00e3o as evid\u00eancias cient\u00edficas?<\/p>\n\n\n\n<p>EVID\u00caNCIAS CIENT\u00cdFICAS<\/p>\n\n\n\n<p style=\"text-align:justify\">     Em 2013 era publicado o estudo WOEST (<strong>W<\/strong>hat is the <strong>O<\/strong>ptimal antiplat<strong>E<\/strong>let and anticoagulante therapy in patients with oral anticoagulation and coronary <strong>S<\/strong>tent<strong>T<\/strong>ing).\u00a0 Foi um estudo multic\u00eantrico, realizado em 15 centros da B\u00e9lgica e Holanda, que avaliou de forma prospectiva 573 pacientes entre novembro de 2008 a novembro de 2011. Eram pacientes que estavam recebendo anticoagula\u00e7\u00e3o oral e submetidos a interven\u00e7\u00e3o coron\u00e1ria percut\u00e2nea. Foram randomizados em dois grupos: 1- Anticoagulante + clopidogrel; 2- Anticoagulante + clopidogrel + aspirina. Quando o stent era convencional, o clopidogrel permaneceu por um m\u00eas e quando farmacol\u00f3gico, o uso foi por um ano. O endpoint prim\u00e1rio foi sangramento por qualquer causa e o endpoint secund\u00e1rio era o desfecho composto por morte por qualquer causa, IAM, AVC, trombose de stent e revasculariza\u00e7\u00e3o do vaso culpado. Foi encontrado que ap\u00f3s 01 ano de seguimento, apresentou redu\u00e7\u00e3o na incid\u00eancia de sangramento por todas as causas no primeiro grupo (terapia dupla), comparado com os pacientes que estavam fazendo uso da terapia tripla (44% vs 19,5%; HR:0,36; p&lt;0,001). Nos desfechos de seguran\u00e7a (endpoint secund\u00e1rio), o \u00fanico que apresentou redu\u00e7\u00e3o foi a mortalidade global no grupo da terapia dupla (2,6 vs 6,4%; p=0,027). <\/p>\n\n\n\n<p style=\"text-align:justify\">      O estudo WOEST conseguiu demonstrar que a terapia dupla \u00e9 segura em rela\u00e7\u00e3o a trombose de stent e infarto do mioc\u00e1rdio e diminui a incid\u00eancia de sangramentos. Uma das cr\u00edticas ao estudo foi o tamanho da amostra, considerado pequeno com poder estat\u00edstico para algumas conclus\u00f5es. \u00a0 <\/p>\n\n\n\n<p style=\"text-align:justify\">      Em 2016 foi publicado no peri\u00f3dico New England Journal of Medicine o estudo PIONEER AF PCI. O contexto era tamb\u00e9m avalia\u00e7\u00e3o de pacientes portadores de fibrila\u00e7\u00e3o atrial com necessidade do uso de anticoagula\u00e7\u00e3o oral e que foram submetidos a interven\u00e7\u00e3o coron\u00e1ria percut\u00e2nea. Cerca de 2124 pacientes foram selecionados, com m\u00e9dia de idade de 70 anos. Foram comparadas duas propostas com uso de um novo anticoagulante oral (grupo 01 e grupo 02) com a estrat\u00e9gia convencional. Foram elas: ESTRAT\u00c9GIA CONVENCIONAL: &#8211; anticoagula\u00e7\u00e3o convencional com um antagonista da vitamina K junto com a terapia antiplaquet\u00e1ria dupla contendo um inibidor de P2Y12 e aspirina (warfarina+Clopidogrel+AAS); Grupo 01- Rivaroxaban associado a um inibidor de P2Y12 (Rivaroxaban 15mg + Clopidogrel \/Ticagrelor\/Prasugrel) por 12 meses; Grupo 02- Rivaroxaban com doses muito baixas associado a terapia antiplaquet\u00e1ria dupla (Rivaroxaban 2,5mg de 12\/12 horas + Clopidogrel\/Ticagrelor\/Prasugrel + AAS) por 01, 06 ou 12 meses. Sangramento de relev\u00e2ncia cl\u00ednica era o desfecho prim\u00e1rio de seguran\u00e7a. O desfecho secund\u00e1rio era composto por morte de etiologia cardiovascular, acidente vascular encef\u00e1lico (isqu\u00eamico ou hemorr\u00e1gico) e infarto agudo do mioc\u00e1rdio.  <\/p>\n\n\n\n<p style=\"text-align:justify\">      Com rela\u00e7\u00e3o aos resultados, em termos do desfecho prim\u00e1rio, a incid\u00eancia de sangramento foi 26,7% no grupo de refer\u00eancia (warfarina), 16,8 % no grupo 01 (HR 0,59; IC95% 0,47-0,76; P&lt;0,000013; NNT 11) e 18% no grupo 02 (HR 0,63; IC95% 0,50-0,80; P&lt;00018;NNT =12). J\u00e1 o desfecho secund\u00e1rio n\u00e3o apresentou signific\u00e2ncia estat\u00edstica. Em conclus\u00e3o, o estudo demonstrou que as duas estrat\u00e9gias testadas com o Rivaroxaban reduziram as taxas de sangramento sem apresentar redu\u00e7\u00e3o na efic\u00e1cia da estrat\u00e9gia adotada.  <\/p>\n\n\n\n<p style=\"text-align:justify\">      Em 2017 foi publicado o RE-DUAL PCI no New England Journal of Medicine. Foi realizado em mais de 414 centros com um total de 2725 pacientes portadores de fibrila\u00e7\u00e3o atrial n\u00e3o valvar com indica\u00e7\u00e3o da anticoagula\u00e7\u00e3o oral e que tiveram necessidade de interven\u00e7\u00e3o coron\u00e1ria percut\u00e2nea. Foram realizadas 03 estrat\u00e9gias de tratamento: Grupo 01- Warfarina + aspirina + clopidogrel ou ticagrelor; Grupo 02- Dabigatrana 150mg 2x + clopidogrel ou ticagrelor; Grupo 03-Dabigatrana 110mg 2x dia + clopidogrel ou ticagrelor. O endpoint prim\u00e1rio foi sangramento maior ou clinicamente significativo (desfecho de seguran\u00e7a). O Endpoint secund\u00e1rio composto por morte e revasculariza\u00e7\u00e3o mioc\u00e1rdica. <\/p>\n\n\n\n<p style=\"text-align:justify\">      Nos resultados foi encontrado que a dupla terapia com Dabigatrana 110mg apresentou menos sangramento do que a terapia tripla (15,4% x 26,9%), com n\u00e3o inferioridade para eventos emb\u00f3licos (p&lt;0,001). A dupla terapia com dabigatrana 150mg apresentou tamb\u00e9m menor sangramento em rela\u00e7\u00e3o a terapia tripla (20,2% x 25,7%) e considerada n\u00e3o inferior para eventos emb\u00f3licos (p&lt;0.001). Com rela\u00e7\u00e3o ao desfecho secund\u00e1rio (morte e revasculariza\u00e7\u00e3o) a taxa de eventos foi semelhante entre os grupos de terapia dupla comparado com terapia tripla (13,7% x 14,4%). O uso da terapia dupla testado nesse estudo foi considerado n\u00e3o inferior a terapia tripla na preven\u00e7\u00e3o de eventos emb\u00f3licos, com menor \u00edndice de sangramentos. <\/p>\n\n\n\n<p style=\"text-align:justify\">    Em abril de 2019 foi publicado no New England Journal of medicine o trial AUGUSTUS. O estudo teve 4614 participantes que apresentavam fibrila\u00e7\u00e3o atrial que sofreram s\u00edndrome coronariana aguda ou se submeteram a interven\u00e7\u00e3o coronariana percut\u00e2nea. Foi testado as seguintes hip\u00f3teses: 1) Nos pacientes que fazem uso do inibidor P2Y12, seria mais ben\u00e9fico o uso associado da warfarina ou apixapana (5mg 2xdia)? 2) Nesse grupo de pacientes da primeira hip\u00f3tese, seria melhor associar AAS ou Placebo? . O Desfecho prim\u00e1rio foi sangramento relevante e o desfecho secund\u00e1rio foi morte mais eventos isqu\u00eamicos (IAM, AVC, necessidade de revasculariza\u00e7\u00e3o de urg\u00eancia). Foram divididos em 04 grupos, sendo que todos tinham em comum o uso do P2Y12: 1) Apixabana + aspirina; 2) Apixabana + placebo; 3) Warfarina + aspirina; 4) Warfarina + placebo. Esses pacientes foram seguidos por 06 meses. Com rela\u00e7\u00e3o aos resultados, foi encontrado que os pacientes que utilizaram Apixaban apresentaram menos sangramento do que os que utilizaram warfarin (10,5% X 14,7%; HR 0,69 IC 95%. 0,58-0,81, P&lt;0,001 de n\u00e3o inferioridade e P&lt;0,001 de superioridade). Na segunda hip\u00f3tese (o uso ou n\u00e3o da aspirina) foi encontrado maior taxa de sangramentos no grupo que fez uso da aspirina (40,5% X 21%; IC 95% 1,59-2,24; p&lt;0,01). Com rela\u00e7\u00e3o aos desfechos secund\u00e1rios n\u00e3o apresentou diferen\u00e7a estat\u00edstica entre os grupos. Como conclus\u00e3o, o estudo relata que em pacientes com fibrila\u00e7\u00e3o atrial e recente s\u00edndrome coronariana aguda ou tratado com angioplastia com stent, o regime que inclui o inibidor P2Y12 associado a apixaban sem uso de aspirina, reduziu sangramento sem diferen\u00e7as significativas em rela\u00e7\u00e3o a eventos isqu\u00eamicos em rela\u00e7\u00e3o ao esquema que utilizava antagonista da vitamina K, aspirina ou os dois.  Augustus trial foi mais um estudo que apresentava resultados semelhantes aos demais j\u00e1 publicados que testaram essa hip\u00f3tese.<\/p>\n\n\n\n<p>META-AN\u00c1LISES<\/p>\n\n\n\n<p style=\"text-align:justify\">     Em abril de 2018 foi publicada no European Heart Journal uma Meta- an\u00e1lise intitulada como <em>Safety and efficacy of dual vs. Triple antithrombotic therapy in patients with atrial fibrillation following percutaneous coronary intervention: a systematic review and meta-analysis of randomized clinical trials<\/em>. Essa meta an\u00e1lise concluiu que a n\u00e3o utiliza\u00e7\u00e3o da aspirina reduzia a incid\u00eancia de sangramentos maior em compara\u00e7\u00e3o com grupos com antagonistas da vitamina K ou NOAC associados a dupla anti-agrega\u00e7\u00e3o. Por\u00e9m o tamanho da amostra de cerca de 5 mil pacientes n\u00e3o permitiu a avalia\u00e7\u00e3o de diferen\u00e7as em complica\u00e7\u00f5es menos frequentes (por\u00e9m importantes) como trombose de stent.  <\/p>\n\n\n\n<p style=\"text-align:justify\">     A publica\u00e7\u00e3o do AUGUSTUS em abril de 2019 com quase 5 mil pacientes permitiu a realiza\u00e7\u00e3o de uma nova meta an\u00e1lise com um n\u00famero maior de pacientes estudados. Em junho de 2019 foi publicado no JAMA a Meta An\u00e1lise <em>\u201cSafety and Efficacy of Antithrombotic Strategies in Patients With Atrial Fibrillation undergoing percutaneous Coronary Intervention: A network Meta-Analysis of Randomized Controlled Trials<\/em>\u201d. Um total de 10026 pacientes de 04 estudos selecionados (WOEST, PIONEER AF-PCI, RE-DUAL PCI e AUGUSTUS) foram avaliados com o objetivo de estudar a seguran\u00e7a e efic\u00e1cia de diferentes regimes antitromb\u00f3ticos. O desfecho prim\u00e1rio de seguran\u00e7a foi sangramento maior e o desfecho prim\u00e1rio de efic\u00e1cia foi eventos cardiovasculares maiores. <\/p>\n\n\n\n<p style=\"text-align:justify\">      Quando comparado o grupo de pacientes que recebeu antagonista da vitamina K associado a terapia dupla antiplaquet\u00e1ria, os outros grupos tiveram menor risco de sangramento maior. Esses outros grupos foram:\u00a0 1) Antagonista Vitamina K + inibidor P2Y12 (OR=0,58; IC 95%. 0,31-1,08); 2) Novos anticoagulantes orais (NOAC) + inibidor P2Y12 (OR=0,49; IC 95%, 0,3-0,82); 3) Novos anticoagulantes orais (NOAC) + dupla antiagrega\u00e7\u00e3o plaquet\u00e1ria (OR=0,7; IC 95%, 0,38-1,23). Importante salientar que s\u00f3 o grupo NOAC + inibidor P2Y12 apresentou signific\u00e2ncia estat\u00edstica. Com rela\u00e7\u00e3o ao risco de eventos cardiovasculares maiores n\u00e3o existiu diferen\u00e7a entre os grupos. <\/p>\n\n\n\n<p style=\"text-align:justify\">     A conclus\u00e3o da meta-an\u00e1lise \u00e9 que o regime de NOAC associado a inibidor P2Y12 apresenta menos sangramento comparado com antagonista da vitamina K associado a terapia dupla antiplaquet\u00e1ria. As estrat\u00e9gias que omitem a aspirina causam menos sangramento, incluindo sangramento intracraniano sem diferen\u00e7a nos eventos cardiovasculares quando comparados as estrat\u00e9gias que utilizam aspirina. Esses resultados corroboram para uso de NOAC associado a inibidor de P2Y12 como regime de prefer\u00eancia em pacientes submetidos a interven\u00e7\u00e3o coron\u00e1ria percut\u00e2nea e que apresentam fibrila\u00e7\u00e3o atrial com indica\u00e7\u00e3o do uso do anticoagulante. O esquema de antagonista da vitamina K associado a terapia dupla antiplaquet\u00e1ria deve ser evitado.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"576\" src=\"https:\/\/arritmed.com.br\/wp-content\/uploads\/2019\/08\/curriculo-para-site2-1024x576.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-89\" srcset=\"https:\/\/arritmed.com.br\/wp-content\/uploads\/2019\/08\/curriculo-para-site2-1024x576.jpg 1024w, https:\/\/arritmed.com.br\/wp-content\/uploads\/2019\/08\/curriculo-para-site2-300x169.jpg 300w, https:\/\/arritmed.com.br\/wp-content\/uploads\/2019\/08\/curriculo-para-site2-768x432.jpg 768w, https:\/\/arritmed.com.br\/wp-content\/uploads\/2019\/08\/curriculo-para-site2.jpg 1280w\" sizes=\"(max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px\" \/><\/figure>\n\n\n\n<p>REFER\u00caNCIAS: <\/p>\n\n\n\n<p>&#8211; Magalhaes LP, Figueiredo MJO, Cintra FD, Saad\nEB, et al. II Diretrizes Brasileira de Fibrila\u00e7\u00e3o Atrial. Arq Bras Cardiol.\n2016; 106(4).<\/p>\n\n\n\n<p>&#8211; Dewilde WJM, Oirbans T, Verheugt FWA, et al; WOEST\nstudy investigators. Use of clopidogrel with or without aspirinin patients taking\noral anticoagulante therapy and undergoing percutaneous coronary intervention:\nna open-label, randomised, controlled trial. Lancet. 2013;381 (9872):1107-1115.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8211; &nbsp;Cannon CP,\nBhatt DL, Oldgren J, et al; RE-DUAL PCI Steering Committee and Investigators. Dual\nantithrombotic therapy with dabigatran after PCI in atrial fibrillation. N Engl\nJ Med.2017; 377(16):1513-1524.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8211; Lopes RD, Heizer G, Aronson R, et al; AUGUSTUS\nInvestigators. Antithrombotic therapy after acute coronary syndrome or PCI in atrial\nfibrillation. N Engl J Med.2019; 380(16):1509-1524.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8211; &nbsp;Golwala HB,\nCannon CP, Steg PG, et al. Safety and efficacy of dual vs. Triple antithrombotic\ntherapy in patients with atrial fibrillation following percutaneous coronary intervention:\nasystematic review and meta-analysis of randomized clinical trials. Eur Heart J.\n2018;39(19):1726-1735\u00aa.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8211; Gibson CM, Mehran R, Bode C, et al. Prevention\nof bleeding in patients with atrial fibrillation undergoing PCI. N Engl J Med.2016;375(25):\n2423-2434.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8211; Lopes RD, Hong H, Harskamp RE, et al. Safety and\nEfficacy of Antithrombotic Strategies in Patients With Atrial Fibrillation Undergoing\nPercutaneous Coronary Intervention &#8211; A Network Meta-analysis of Randomized Controlled\nTrials. JAMA Cardiol. 2019; <\/p>\n\n\n\n<p>  <\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>INTRODU\u00c7\u00c3O \u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 A fibrila\u00e7\u00e3o atrial (FA) \u00e9 uma das arritmias mais prevalentes, tendo se tornado um problema de sa\u00fade p\u00fablica. Acredita-se que no ano de 2050 nos Estados Unidos a preval\u00eancia da arritmia chegue a 15,9 milh\u00f5es de americanos. Essa preval\u00eancia vem aumentado progressivamente, provavelmente devido ao envelhecimento da popula\u00e7\u00e3o. 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